A ingenuidade é o legítimo segredo de cada qual, a sua verdadeira idade, o seu próprio sentimento livre, a alma do nosso corpo e a própria incandescência de toda a nossa resistência moral.

Mas os ingénuos são os primeiros que ignoram a força criadora da ingenuidade, e na ânsia de crescer compram vantagens imediatas ao preço da sua própria ingenuidade. Tornam-se vítimas de si mesmos, suicidas dos seus legítimos poetas.

E, uma vez roto o caminho, já nunca mais se encontrará sequer aquela ponta por onde se rompeu.
É a palavra de ordem. Destruir. Tudo.

Os deuses, as artes, diferenças, ou a só cultura, valores de qualquer espécie, filosofias, o simples pensamento, a simples palavra - tudo alegremente ao caixote.

Entretanto, ou por isso, proliferação das gentes com a forma que lhes pertence, devastações diversas, que foi o que de melhor a natureza arranjou para equilibrar a demografia, droga dura para se avançar na vida mais depressa, criminalidade para esse avanço, juventude de esgotos nocturnos, velhos em excesso e que não há maneira de se despacharem e atulham os chamados lares de idosos ou simplesmente os depósitos em que são largados até mudarem de cemitério, 'politiqueiros' que têm a verdade do erro que se segue e o mais e o mais...

É tempo de cair um 'pedregulho' como o que acabou com os dinossauros há milhões de anos e de poder dar-se a hipótese de a vida recomeçar. Até que venha outra vez a destruição e o senhor lá de cima definitivamente se farte do brinquedo.


No entretanto, vou procurando ainda por alguma flor ao natural e demoro-me eternidades a admirar-lhe a sua beleza e estupidez.
As pessoas... hei de passar a vida a fazê-las provocar confidências. Os loucos? Esses são pessoas de honestidade escrupulosa e cuja inocência só encontra um semelhante em mim.

As pessoas...
querem simplicidade ou diversidade?
querem ser mais felizes, ou mais indiferentes à felicidade?
Ficar mais satisfeitas, ou mais exigentes?
mais amigáveis, ou mais desumanas?
São mais prudentes, ou mais impulsivas?
Querem atingir um fim, ou evitar todos os fins?

O que nos faz pessoas é a sede e o olhar.
Dar, derramar-me num vaso que nada retém e ser fio por onde circulam ventos e marés.

Aspirar as forças que me rodeiam, o sol e o fogo, as fontes que vêm do fundo e do alto, água e ar, e derramá-las no teu corpo, misturador que tudo guarda e transforma para que nada se perca e haja um equilíbrio perfeito entre o mesmo e o outro que tu iluminas.

Dar tudo, dar tanta verdade quanta se possa suportar, e mais, obrigar-te a uma elevação para um grau superior de fulguração...

Amar diz-se raro.
Exige-se respirar as planícies com metade do que somos, e amar é raro porque poucos aceitam a presença do seu gémeo, a boca insaciável de quem todos os dias o vento esculpe e destrói.