No fechar dos olhos... consinto a longevidade dos exíguos corpos, tatuados a frio pela fuligem das ensaiadas fugas na alvez das paredes, rugosas como as planícies, que repletas pelos fragmentados silvos da falta - largados aos molhos como se sementes fossem - oferecem a espasmódica paisagem, que me sufoca... e me traz de volta ao
esquecimento da fina areia, segundo a segundo, crescendo no suicídio ou no tempo, mergulhando na ausência dos lírios púrpura com que decoro as
fotografias da memória, os instantes... aqueles... em que não te tenho ou em que sinto não me ter no fechar dos olhos... procuro o
consolo da maresia, que roçando as frestas das janelas as cobre com o iodo das areias e extingue, poro a poro, as inundadas visões do imenso querer... iluminando no seu percurso as difusas artérias, dando-lhes fogosidade e ardor, num adocicado e submisso tocar, subtilmente indiciando, a melodia rumorosa e lenta das abelhas, ou as quebras dos reflexos das suas asas. A queda.
No fechar dos olhos... depois...
simulo o
longo e imperturbável sono da pele, numa simulada
tranquilidade do espírito na berma da flor,
espreitando a solicitude e o pleno voo do sonho, num leito feito de costume e de hábito, por fazer na manhã e desfeito ao deitar, reinventado em cada toque, pulsar ou olhar e com o cheiro de, apenas... teu, meu, sei lá...lar (elixir possível!.. ou grito!) àquele único lugar... a que só queria regressar continuamente, cumprindo os
porquês do tudo que me faz rumar, em círculos, numa ignorada loucura insana... jangada, que me sustêm... ainda assim, livre.
~ Analu
(um obrigado por estar tanto de mim aqui para quem o escreveu, seja lá quem for...)