Cansaço, Sono e Sonho

«Tudo o que dorme é criança de novo. Talvez porque no sono não se possa fazer mal, e se não dá conta da vida. O maior criminoso, o mais fechado egoísta passa a ser sagrado, por uma magia natural, enquanto dorme. Entre matar quem dorme e matar uma criança não conheço diferença que se sinta.»

~ Bernardo Soares

O sono que cai sobre mim, de vez em quando é recebido como uma tirania gentil, que recebo sem dar conta do poder e da forma como me invade. Isto, porque, nesse estado o mundo fecha os olhos e na manhã seguinte tem a capacidade para me fazer encarar tudo com as cores tingidas com um tom novamente mais forte. Mesmo que isso não seja o suficiente para que tenha forças para esse novo dia, pelo menos serve de mote, de alento, dando-me energia.

Não é somente o cansaço que leva ao sono, esse é apenas a porta de entrada de algo mais figurado do que ele, por si só. O sonho é a maior recompensa do sono, tirano que, ainda assim, me dá esse grande dom como espécie de recompensa pela sua passagem e apagão do meu pensamento. O requinte detalhado deste nobre leva, por último, a que me recorde de praticamente todos os meus sonhos quando acordo novamente, passando essas histórias a figurar num passado recente, na minha memória, muitas vezes para sempre.

(...) Enigmas?

Uma das mais recorrentes causas de separação é, sem dúvida, a (...). É uma das maiores causas de problemas. Mas muitas vezes não se olha para a total extensão deste problema.

(...) e arrependimento. A (...) é vulgarmente abordada com um olhar egoísta . Isto é, a quem se (...). Mas quem (...) entra também numa espiral complicada e perigosa. Há situações que levam a (...), estupidamente. Depois o embaraço ou simplesmente a vergonha leva-nos a (...) para ocultar uma anterior (...). Depois, a vida complica a cada hora. O medo de ser descoberto, a angustia de esconder algo a alguém que se ama, o constante sobressalto e o medir as palavras faz com que, quem vive tudo isto, viva numa constante angustia.

Há constantemente uma sensação de vivermos uma vida dupla. Em casos extremos o próprio vê-se como outra pessoa, tentando imaginar uma vida diferente fantasiosa, levando a mais (...) e fugas.
Uma (...), por mais inocente que pareça, é sempre demais perigosa. Mesmo as consideradas (...) «brancas» ou de «piedade» podem degenerar em perigosas espirais de (...), arrastando-nos e prendendo-nos a uma realidade falsa.

Pensei bem na minha vida, no que queria realmente e em definitivo dela. Olhei em redor e vi como podia evitar ou resolver questões antigas. O diálogo é fundamental.

Vivi dias de felicidade contigo nestes dias. Apesar disto, que ali falo em cima, tudo foi perfeito ao teu lado. É agora, é desta, é sim, agora sim chegou o momento de viver tudo como sendo eu, sem mais nada como entrave ou bloqueio do que quer que seja. O que era mau e passado, passou e terminou.

Ponto final.

Ser alentejano

Portugal nasceu no Norte, mas foi no Alentejo que se fez homem. Guimarães é o berço da nacionalidade e Évora é o berço do Império Português, veja-se em Vasco da Gama o exemplo.

Para um alentejano, o caminho faz-se caminhando e só é longe o sítio onde não se chega sem parar de andar. Mas os alentejanos não servem só as grandes causas, nem servem só para as grandes guerras. Não há como um alentejano para desfrutar plenamente dos mais simples prazeres da vida. Daí a resposta de Eva a Adão quando este, intrigado, lhe perguntou o que é que o alentejano tinha que ele não tinha: «Tem tempo e tu tens pressa.» Quem anda sempre a correr, não chega a lado nenhum. E muito menos ao coração de uma mulher. Andar a correr é um problema que os alentejanos, graças a Deus, não têm. Até porque os alentejanos e o Alentejo foram feitos ao sétimo dia, precisamente o dia que Deus tirou para descansar.

Adaptado de autor desconhecido

É por isso que, sempre que passeio por aí numa noite quente de verão ou sinto no rosto o frio cortante das manhãs de Inverno, me orgulho de ser daqui, de pertencer aqui e de deste sitio ser, também, fruto. Alentejo é uma palavra mágica que começa no Além e termina no Tejo, o rio da portugalidade. O rio que divide e une Portugal. O Alentejo molda o carácter de um homem, a solidão e a quietude da planície dão-lhe a espiritualidade, a tranquilidade e a paciência do monge; as temperaturas e a agressividade da campo dão-lhe a resistência, a rusticidade, a coragem e o temperamento. Ser alentejano não é um dote, é um dom. Não se nasce alentejano, é-se alentejano.

Há a aprender

Algo do que, em mim, mais me causava motivo de frustração, era a minha intima agitação de suspeitar que os meus desejos nunca eram alcançáveis.

Contigo aprendi, também, que coisas que julgava não terem sido feitas para as viver, também eu posso passar por elas, sim, que eu também posso vivê-las à minha maneira e que, sim, isso me provoca a enorme felicidade e satisfação que é passar por elas. Esta é uma aprendizagem que se tem feito todos os dias, todos aqueles que passo ao teu lado, todos aqueles em que me fazes acreditar em mim e naquilo que existe entre nós, e, ainda, de modo tão importante e inequívoco: no futuro. De uma vez por todas, deixei de crer que na vida tudo o mais são sonhos, de que tudo o que me transcendia não seria para lhe tocar. Ensinaste-me esse verbo tão essencial quanto o ar que respiro, a acreditar.

Não desejo nada do que fica mais além, tenho em ti tudo o que quis antes, agora e depois. Já não sei andar só pelos caminhos, porque simplesmente já não posso andar só. Um pensamento visível que é a tua companhia, mesmo distante, faz-me andar mais depressa. Arrumei a minha vida, pus prateleiras na minha vontade e acção. Quero fazer isto agora, como antes, isso sim, restando do antes aquela vontade, com o mesmo resultado.

Sempre que sinto, ou algum dia sinta que estou perto do meu fim, este último em termos simbólicos, terei sempre continuidade em ti porque me completas. Assim, talvez nunca me perca, talvez nunca acabe, porque em ti verei sempre maneira de retornar a mim, fazendo desse ciclo um continuar dos meus dias, por toda a minha vida, junto ao grande amor da minha vida que se vê, aos meus olhos, em ti.