Há a aprender

Algo do que, em mim, mais me causava motivo de frustração, era a minha intima agitação de suspeitar que os meus desejos nunca eram alcançáveis.

Contigo aprendi, também, que coisas que julgava não terem sido feitas para as viver, também eu posso passar por elas, sim, que eu também posso vivê-las à minha maneira e que, sim, isso me provoca a enorme felicidade e satisfação que é passar por elas. Esta é uma aprendizagem que se tem feito todos os dias, todos aqueles que passo ao teu lado, todos aqueles em que me fazes acreditar em mim e naquilo que existe entre nós, e, ainda, de modo tão importante e inequívoco: no futuro. De uma vez por todas, deixei de crer que na vida tudo o mais são sonhos, de que tudo o que me transcendia não seria para lhe tocar. Ensinaste-me esse verbo tão essencial quanto o ar que respiro, a acreditar.

Não desejo nada do que fica mais além, tenho em ti tudo o que quis antes, agora e depois. Já não sei andar só pelos caminhos, porque simplesmente já não posso andar só. Um pensamento visível que é a tua companhia, mesmo distante, faz-me andar mais depressa. Arrumei a minha vida, pus prateleiras na minha vontade e acção. Quero fazer isto agora, como antes, isso sim, restando do antes aquela vontade, com o mesmo resultado.

Sempre que sinto, ou algum dia sinta que estou perto do meu fim, este último em termos simbólicos, terei sempre continuidade em ti porque me completas. Assim, talvez nunca me perca, talvez nunca acabe, porque em ti verei sempre maneira de retornar a mim, fazendo desse ciclo um continuar dos meus dias, por toda a minha vida, junto ao grande amor da minha vida que se vê, aos meus olhos, em ti.