Todos os dias os encontro. Evito-os. Às vezes sou obrigado a escutá-los, a dialogar com eles. Bem, na verdade já não é bem um evitamento porque já nem me confrangem. Contam-me vitórias. Querem vencer, querem, convencidos, convencer. Vençam lá à vontade. Sobretudo, vençam sem me chatear. Mas também os aturo por escrito. No livro, no jornal. Romancistas, poetas, ensaístas, críticos de tudo e mais qualquer coisa que ainda esteja por existir.
Convencidos da vida há-os, afinal, por toda a parte, em todos e por todos os meios. Eles estão convictos da sua excelência, da excelência das suas obras e manobras, de que podem ser, se ainda não são, os melhores.
Praticam, uns com os outros, nada de genuinamente indecente: apenas um espelhismo lisonjeador. Além de espectadores, o convencido precisa de irmãos-em-convencimento. Isolado, através de quem poderia continuar a convencer-se, a propagar-se?

