Intensamente

Todos os anos, desde que me recordo, quando chegam ao fim me trazem um sentimento de nostalgia quase arrebatador.
Escassos são os campos nos quais não me posso referir a intensidade, raros foram os momentos que ao longo deste último ano não me fizeram sentir intensamente.

Na sua soma, experimentei momentos amargos algumas vezes, doces em outras tantas. Muitas vezes conseguíram ser coloridos e alegres. Ainda assim, uma mão cheia deles foram tristes e revoltantes. Sublimes, por vezes efémeros, mas inesquecíveis. O que me pesa mais na memória e os que pretendo guardar para sempre, são os bons. A cada toque teu, sinto cada vez mais longe o passado.

Sorte ou destino, a vós pertenço... que tudo o que de bom houve, se replique tantas vezes quantas as que eu quiser viver. Dependo, em parte, de ser um doido que estranha a sua própria alma, mas que possui, ao mesmo tempo, certezas infinitas. É nelas e por elas que me quero reger, até ao fim.

Está na hora de ser, definitivo. Termina aqui mais um acto que, em derradeira análise final, se me revela fundamental para o desenrolar dos restantes.

Fica a promessa expectante.

Romantismos...

A maior de todas as acusações que os anti-românticos podiam atirar ao romantismo ainda não o fizeram. Talvez por ser uma verdade inconveniente, uma verdade que também eles sentem e, por isso, calam...

O Romantismo revela e representa a verdade interior da nossa natureza. Os seus exageros, os seus ridículos, os seus poderes vários de seduzir e comover, residem em que ele é a figuração e personificação exteriores do que de maior há bem dentro da nossa alma.

O sonhador é que é o homem de acção... afinal.

P.S.: Um obrigado a si, Helga, que tem deixado a sua marca por este sítio. Anseio vir a conhecê-la um dia.

Preenchido pelo Amor que sonhei...


O amor, quando se revela,

Não se sabe revelar.

Sabe bem olhar para ti,
Mas não te sei falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Falo: parece que minto
Calo: pareço esquecer

Ah, mas se adivinhasses,
Se pudesses ouvir o olhar,


E se um olhar te bastasse
Pr'a saber que te estou a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-te
O que não te ouso contar,
Já não terei que falar-te
Porque te estou a falar...

Adaptado de Fernando Pessoa, «O Amor».

Onde mais ninguém alcançou...

És alguém que me leva bem até ao limite das minhas escolhas e forma de ser, parece incrível, diriam alguns, ou até mesmo eu. Mas certo, é que o conseguiste. Acho que me começas a entender como realmente sou, isso agrada-me, porque nunca antes alguém tinha ido tão longe nessa estrada larga e longa... por vezes tão cheia de buracos.

Trouxeste-me de volta ao caudal do longo rio onde poder é conseguir acreditar e nas margens apenas se avista desejo de se seguir em frente. Digo-te do que ontem fui, para que possas compreender como cheguei aqui.

Disse a raposa ao principezinho, aquele dos sonhos, que nos tornamos eternamente responsáveis por quem cativamos. Aceitei essa responsabilidade, de braços e mãos bem abertos.

O tempo, nunca é de mais, quando os dois ponteiros envolvidos no processo vicioso e rotativo têm consigo a chave que aponta directamente para o essencial que compõe cada um deles. Assim, nada nunca parece demasiado, assim, não existe principio nem fim, apenas o continuar de algo que se quer para sempre.

Eu amo-te, menina do sorriso bonito. =)

Conversões...

«Peguei no meu coração, e pu-lo na minha mão.
Olhei-o como quem olha grãos de areia ou uma folha.
Olhei-o pávido e absorto, como quem sabe estar morto;
Com a alma só comovida do sonho e pouco da vida.»

~Fernando Pessoa

Espero que saibas compreender o teu nível de importância ao seres o sonho de um sonhador. Basta que eu veja nitidamente com os olhos, ou que oiça com os ouvidos, ou com outro sentido qualquer, para que sinta que isto é real, para que sinta que sabes o que isso significa. Passar de apenas ser sonhador a viver uma realidade, ou melhor, a concretizar um sonho, nem sempre é processo fácil! Há coisas que se tornam reais que nunca pensei que o poderiam acontecer, pelo menos em mim. Mas não quero outra coisa senão isto, nada mais...

Sou do que penso, mas penso tanta coisa...!

O passado, que me pesava, torna-se agora mais leve. O presente já não é uma realidade de nada. O futuro, quero-o como nunca antes.

Sinto, agora, momentos e coisas que pensei durante bastante tempo que simplesmente não eram feitas para mim, ou, que pelo menos pensei que nunca iriam surgir no meu caminho.

És passageira definitiva da minha emoção e, desse pensamento, posso agora ser.

Verdades perdidas...

Pertenço a uma parte de geração, onde de modo constante e quase impensado se perde o respeito pelo passado e toda a crença no futuro. Vive-se de presente e com a gana e gula de quem não tem outra casa senão a dele. E, como é nas nossas sensações, sobretudo nos sonhos, sensações inúteis apenas, que cada vez mais se encontra um presente (que não olha nem para passado nem para o futuro), sorri-se à vida interior e existe um desinteresse sonolento da realidade quantitativa e qualitativa das coisas.

Certo, no meio deste embuste emocional, é que as coisas que mais amamos só têm o seu pleno valor reconhecido quando são, de modo simples, sonhadas.

As pessoas perdem cada vez mais toda a habilidade, inata ela mesma, de amar. Cansam-se de palavras e de gestos, ignoram momentos simples... Aliás, penso que a própria ideia que concebem de que são amadas as cansa, as fatiga, quase até ao limite.

Não gosto de espectáculos, são a imitação mais degradada do que havia de ser apenas matéria de sonhos. Adoro a continuidade, embora discreta, mas sentida. Adoro o sentir que amanha ainda tudo existe, o sentir que existe futuro construído a partir de cada pedaço de cada episódio do amanhã.

A propósito, ou não, disto, o Fernando, o Pessoa, disse, com razão que: «Não podemos comer um bolo sem que o percamos.» Todavia nem tudo na vida são bolos, nem tudo na vida tem que ser levado por essa efemeridade rápida de pensamentos e vivências, que vejo como algo comum e gasto... não me digam que nao há por aí algo que não desapareça, assim, do nada, algo com o qual possamos e queiramos sentir durante muito tempo, algo que nos faça sentir vivos!

Há por aí tanta verdade perdida, esquecida de modo «pouco esquecido», sim, porque todos sabem que elas existem, ali, mesmo ali. Mas ignoram, ignoram sempre, só porque nos seus julgamentos pessoais concretizam, errada e estupidamente, que esse é o caminho a seguir, porque não existe mais nenhum!...

Mas...! -Pensamento invasivo, daqueles que me obrigam a pensar- Porque penso eu nos outros? Ou, porque me obrigam eles a pensar sobre isto? Afinal eu quero dar continuidade, viver o que sinto hoje, sempre, para que amanha possa sentir o mesmo e cada noite que me deito, bem como em cada manhã que acordo, sinta que tenho um projecto, uma vontade... essa vontade, és tu. Essa vontade não se há de esvanecer, só pelo facto de que tudo o que tem um principio tem um fim, frase, ou pensamento como queiram, que detesto sentir e ouvir ser dito! Não sou assim, não faz parte da minha essência, não, não!! Sinto-me cada vez mais afeiçoado a ti, sinto toda esta vontade de ti, no simples facto de querer partilhar tudo contigo, de querer estar ao teu lado, de querer continuar isto por muito, muito tempo.

O mundo é um local estranho, mas, «enquanto o mundo lá fora corre», quero viver o que sonhei, contigo!

Penso e escrevo, escrevo e penso...

Vicio ao qual me prendo, a par de todos os sonhos que sonho, todos os dias, mesmo enquanto mantenho os meus olhos abertos e distraídos, seja com o que for. E continuo a pensar que tenho que pensar, porque me obrigam, porque algo me obriga, a pensar, mesmo que eu não o queira fazer!...

Penso e repenso demasiado com o coração. Sempre com ele, menos com o cerebro, que se deixa ele tambem levar pelo caminho de corda só por julgar que lhe será mais aprazível.

Sonhos: a sonhar vivi eu uma vida, a minha! Vida que me limitei a assistir como espectador atento mas pouco participativo, como aquele típico que apenas levanta o braço para participar quando realmente é necessário ou apenas porque mais ninguém o fez e se sente na obrigação de o fazer. Agora, quero mudar esse rumo, quero fazê-lo em prol de um sentimento de amor que se afigura cada e cada vez mais real, que para além de pensamento, transcende a esfera obsoleta dos meus sonhos, ante cansados deles mesmos, e atinge a realidade palpável!

Faz hoje, por esta hora, dois meses que sou a pessoa mais feliz do mundo (do MEU mundo). Sonhos, pouco a pouco, tornam-se realidade ao teu lado... e quero, quero mais do que sempre quis qualquer outra coisa, quero ficar ao teu lado, contigo, com o teu abraço, a tua voz e o teu olhar, bem como tudo o resto que não perde simples ou complexo valor por eu nao mencionar.

Amo-te Muito, é algo real que finalmente me fez sentir que valia a pena verdadeiramente!