Como se o vento nelas batesse, e fossem nuvens todas as ideias com que damos algum sentido à vida, todas as ambições e crenças em que fundamos e continuamos a fundar a esperança na continuação dela, se dissipam, farrapos do que não foi nem poderia ser.

Ás vezes está atrás de nós, visível só quando nos não voltamos para ver, e é a verdade toda que se mostra aos nossos olhos como horror de não a conhecermos.

Esse horror que hoje me detém é algo mais rompente. Torna-se vontade de não querer ter pensamento, desejo de nunca ter sido nada, num desespero estúpida e lamentavelmente consciente. É o sentimento súbito de se estar enclausurado na espécie de cela infinita em que nos movemos, sempre de canto em canto, sem que nem por isso nela existam sequer janelas gradeadas.

Para onde pensar em fugir, se só a cela é tudo? Afinal, o que querem realmente as pessoas da vida sem lhe saber a verdade?