Não Importa...

... o meio para se atingir o fim? Viajar com destino pela terra ou pelo ar, tem o mesmo final.

Ás vezes sei que devia estar na cama a dormir, e fico por aí, porque quando fecho os meus olhos consigo apenas ver luzes distantes... é tudo apenas parte do que sou.

Condensações...

Basta-nos pensar em sentir, para sentir a pensar. Por vezes, não o sabem muitos, viver é não conseguir. Às vezes, temos que parar de andar, para depois ficarmos e, então por fim, partirmos. Cada qual tem o seu alcool, eu para mim tenho-o bastante em apenas existir. Alguns momentos recatado, bêbado de me sentir, vagueio e em simultâneo ando por caminhos certos. Por detrás desse papel, sou igual a mim mesmo, construo-me a mim mesmo às escondidas e tenho o infinito.

Há dias em que o essencial é saber ver, saber ver sem estar a pensar.
Falam-me de civilização, de saber crescer e de maturidade, mas vendo as coisas sem as pensar, apenas vejo que nada disso acontece nas pessoas em meu redor. Dizem-me que todos sofrem, ou pelo menos a maioria, com as situações postas desta maneira, dizem-me que se fossem diferentes haveria menos sofrimento, dizem-me que se fossem como queremos, seriam melhores.

...Se as coisas fossem diferentes, seriam diferentes. Se fossem como queremos, seriam só como as queremos. Ai de todos aqueles que levam a vida a tentar inventar a máquina que produz felicidade, quando ela está ali, ela mesma, mesmo ao lado, no nosso infinito individual.

Apesar de a minha auto-estima não ser das mais elevadas que por aí existam, sinto-me orgulhoso de mim próprio por ter construído algo de significativo com o tempo que até este momento me foi concedido, algo que me faz sentir que valeu a pena e que não se resume pura e simplesmente a um gesto falhado de efemeridade. Viver cada dia como se fosse o ultimo? É, sim, talvez. Mas nunca com a ânsia de trazer como pensamento de que vai ser mesmo o ultimo. A todos os que o fazem, a todos esses que vagueiam realmente bêbados de pensamento e de gestos, fica o meu mais profundo lamento por saber que não conseguem ter o que há de mais elementar em nós: a força de vontade e o lutarmos verdadeiramente por sermos alguém.

Tempo, esse malandro!

Olho o horizonte e o carrocel do pensamento começa uma nova volta que me traz à consciência que o tempo não para: mais, anda depressa! Passaram cinco meses desde que tudo começou.

Há momentos que quero viver como se fossem, agora, ainda, os primeiros, os mais puros, os mais sentidos. Sinto-o. Sei, sabes, sabemos que sinto. Que sentimos. Muitos outros, novos, cheios de vontade, estou (a eles) também de braços abertos.

O saber que alguém é de alguém? Bem, preenche-me antes a alma o saber que te amo com tudo o que de melhor sei dar. Com a vontade de quem fez do sempre a palavra chave de uma relação. É no fazeres total e completamente parte de mim e dos meus dias que busco alimento incessante e que todos os dias tenho vontade de pensar «SEMPRE!».

O passado, embora tenha passado, tem muito mais que memórias prontas a serem guardadas. Lembro-as todos, senão quase todos os dias, porque também isso me traz um sorriso aos lábios, e uma profunda vontade de continuar contigo, ao sabor desse malandro, do tempo que nos uniu.

Amo-te.

Um Acordo

Fiz um acordo cerrado com o tempo. Hoje sei que o impossível é uma questão de tempo até acontecer. O meu impossível era realmente impossível, improvável, inexequível, demasiadamente extenso para caber no rebate da fugacidade da vida... e pergunto-me: porque não poderá isso ser extensível ao impossível como senso generalizado?

Tenho saudade de viver coisas que ainda vou viver. Como? É aqui que o tal acordo entra. O meu acordo com o tempo foi o de que sempre irei amar com a força desse sol quente, e que para sempre, também, irei querer ver ao meu lado os teus olhos que vi tornarem-se doces perante os meus, tal como aquelas noites de verão: doces, quentes e arrebatadoras.

Não vivo de saudade. Não, não é isso. Vivo vivendo o hoje, mas também um pouco do amanhã. Sei que a maior certeza que temos é o amanhã. O mar, esse, vai estar nos arredores da mão que escolhi para trazer apertada à minha. E o acordo definitivo vai resplandecer, todos os dias, com mais um nascer de sol. Sempre, para sempre, até ao meu Invernecer definitivo, que espero, esteja longe, pois só recentemente esta ex-árvore de tronco cinzento e abandonado começou a fazer nascer cores de esperança, felicidade e profunda satisfação.