A vida é um ininterrupto caudal de experiências renovadas, as nossas próprias e as da «civilização».

Ter angústia existencial - perante a finitude da vida de cada um - para quê? - se a cultura continua e sempre se transformará. Pelo menos, é nisso que parecemos estar crentes.

Para melhor?

O cérebro alimenta-se de informação, a alma, da relação.
Vivemos na era da informação. Quando chegará a do amor?


Possivelmente é um erro supor-se que um interesse, seja qual for, reside nisso mesmo em que se está interessado. Não está. Um interesse remete sempre para outro e outro, até ao interesse final que tem que ver com a própria vida, o motivo global que nos impulsiona.

Há pelo menos que haver uma razão final e genérica para que as razões circunstanciais ou ocasionais tenham um efeito propulsor. Há que termos essa razão, mesmo inconsciente, para que todas as outras actuem em nós. É o que não acontece quando por exemplo dizemos que estamos sem interesse. Não nos apetece ler, não nos apetece escrever, não nos apetece ir ao cinema, ouvir música, etc, quando falta uma razão global em que isso se inscreva. E então dizemos sumariamente isso mesmo: que não nos apetece.

Os que superam esse estado são excepcionais, ou loucos ou de força de vontade ou obsessivos, o que tudo é um modo de dizer que se está fora dos limites normais.
Sempre irrequieto e divagante, eterno
caminheiro - lesto entre fragas e silvas
e no terreno xistoso dos vinhedos e algo
trôpego entre arranha-céus e nos salões -
com o pensamento na Lua, o pé na estrada
e o olhar nos outros.

António Coimbra de Matos