120 anos de Pessoa


A criança que eu fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.

Fiz de mim o que não soube, e o que podia fazer de mim não o fiz. O dominó que vesti era errado. Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me. Quando quis tirar a máscara, estava pegada à cara. Quando a tirei e me vi ao espelho, já tinha envelhecido, estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado. Deitei fora a máscara e dormi no vestiário como um cão tolerado pela gerência por ser inofensivo. E vou escrever esta história para provar que sou sublime. Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia, não há nada mais simples. Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte.

Entre uma e outra todos os dias são meus.
Há 120 anos, a 13 de Junho de 1888, nascia em Lisboa Fernando António Nogueira Pessoa. Morre a 30 de Novembro de 1935.

8 momentos

Por todos os momentos, por tudo aquilo que me deste nestes últimos meses, por tudo o que fizeste crescer em mim, amo-te. Quero e vou ficar junto a ti. Também tu me orgulhas!

Realidade

«A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós próprios...»


~ Fernando Pessoa

Viver sem Horas

«Vive sem horas. Quanto mede pesa,
E quanto pensas mede.
Num fluido incerto nexo, como o rio
Cujas ondas são ele,
Assim teus dias vê, e se te vires
Passar, como a outrem, cala.»


~ Fernando Pessoa