Aos teus 20!

As tuas cores hoje tornam-se um pouco mais brilhantes. É o mostrar de que és capaz e de que tens força.
Só quero que sejas feliz, não interessa de que modo, nem como isso seja proporcionado.
Estou aqui, hoje, ao teu lado. Estarei sempre.

Parabéns, amor!

11... para pensar quase no 12!


Há um ano atrás, pela minha estrada, não sabia o que estava para se cruzar comigo no caminho. Não fazia ideia, tanto que, até ao limite nunca abri os olhos. Hoje, tal como ontem e amanhã, há um ano atrás, mentalizava-me de que iria ser sempre tudo como antes.

Surgiste para me provar que estava enganado. Que, tal como não pensara, também eu podia viver um grande amor.

Textos e Memórias III

"Todo amor começa antes de começar, devia saber. Começa num encontro que se não teve. E quanto mais antes, mais verdadeiro. O nosso encontro foi no eterno, que é onde vale a pena acontecer o que acontece."

"De noite o mar aproveita para ser medonho. Porque o medo é mais feito do possível que do real. Um condenado à forca quando sofre mais não é quando tem a corda no pescoço. Penso eu, que ainda não fui enforcado. E o escuro tem mais carga de possíveis."

Vergílio Ferreira


"Em mim foi sempre menor a intensidade das sensações que a intensidade da consciência delas. Sofri sempre mais com a consciência de estar a sofrer que com o sofrimento de que tinha consciência. A vida das minhas emoções mudou-se, de origem, para as salas do pensamento, e ali vivi sempre mais amplamente o conhecimento emotivo da vida. E como o pensamento, quando alberga a emoção, se torna mais exigente que ela, o regime de consciência, em que passei a viver o que sentia, tornava-me mais quotidiana, mais epidérmica, mais titilante a maneira como sentia.

Criei-me eco e abismo, pensando. Multipliquei-me aprofundando-me. O mais pequeno episódio - uma alteração saindo da luz, a queda enrolada de uma folha seca a pétala que se despega amarelecida, a voz do outro lado do muro com os passos de quem a diz juntos aos de quem a deve escutar, o portão entreaberto da quinta velha, o pátio abrindo com um arco das casas aglomeradas ao luar - todas estas coisas, que me não pertencem, prendem-me a meditação sensível com laços de ressonância e de saudade. Em casa uma dessas sensações sou outro, removo-me dolorosamente em cada impressão definida."

Fernando Pessoa

Regressar

Depois de entrar numa nova etapa, diga-se, com mais um peso de tempo para trazer comigo, teve sabor agradável uma partida para respirar outros ares.

Cair de braços abertos no sol, no mar... receber na cara o gelo da noite e o vento que assobia e estremece, todo ele com cheiro a maresia. A branca e ténue luz da lua reflectida na água escurecida pelo anoitecer, o astro claro como um amanhecer de promessas. As gaivotas, expoente de sentimento de liberdade. Longas terras, longos areais, gentes diferentes, provenientes de locais tão distintos, que se cruzam. Tu, comigo, ali.

Olhar todo este cenário tem tanto de aprazível como de avassalador. Por um lado, tudo isto me acalma, me torna sereno ao futuro, me dá força e me faz prometer. Do outro lado, o sentimento de envolvência toma posse de mim e, por momentos, sinto-me como um barco à deriva no meio de uma imensidão indefinida. Nada de negativo. Não convém que se interprete esse acontecer desse modo quase feroz. Mais que ser meu, gera uma força redundante em mim que também me dá vontade para mais. É nessa vontade e nesse querer que procuro manter-me.

No entanto, apesar de saborosa, a partida torna-se efémera ao sentir e o regresso torna-se então na alternativa mais capaz de me manter. Voltar para continuar a escrever, para continuar a sentir e a fazer disso alimento que dure até ao fim dessa nova etapa.