
Depois de entrar numa nova etapa, diga-se, com mais um peso de tempo para trazer comigo, teve sabor agradável uma partida para respirar outros ares.
Cair de braços abertos no sol, no mar... receber na cara o gelo da noite e o vento que assobia e estremece, todo ele com cheiro a maresia. A branca e ténue luz da lua reflectida na água escurecida pelo anoitecer, o astro claro como um amanhecer de promessas. As gaivotas, expoente de sentimento de liberdade. Longas terras, longos areais, gentes diferentes, provenientes de locais tão distintos, que se cruzam. Tu, comigo, ali.
Olhar todo este cenário tem tanto de aprazível como de avassalador. Por um lado, tudo isto me acalma, me torna sereno ao futuro, me dá força e me faz prometer. Do outro lado, o sentimento de envolvência toma posse de mim e, por momentos, sinto-me como um barco à deriva no meio de uma imensidão indefinida. Nada de negativo. Não convém que se interprete esse acontecer desse modo quase feroz. Mais que ser meu, gera uma força redundante em mim que também me dá vontade para mais. É nessa vontade e nesse querer que procuro manter-me.
No entanto, apesar de saborosa, a partida torna-se efémera ao sentir e o regresso torna-se então na alternativa mais capaz de me manter. Voltar para continuar a escrever, para continuar a sentir e a fazer disso alimento que dure até ao fim dessa nova etapa.